03/08/2015

Boa noite, Cinderela.

 

    Todas as noites antes de dormir, insistia em ler um livro sobre conto de fadas que mantinha em cima do meu criado mudo ao lado da minha cama. Minha história favorita desde criança era (e continua sendo) a da Cinderela. Acreditar em contos de fadas é o meu ponto fraco. Eles sempre aguçaram minha imaginação me tornando o grande sonhador que sou. Acredito com intensidade nos felizes para sempre, na realização de sonhos e acima de tudo, em amor verdadeiro.

    Certo dia, havia saído com meus pais para almoçar na casa da minha avó materna. Logo quando voltamos ao entrar em meu quarto, percebi que algo estava errado. Havia chovido e acabei me esquecendo de fechar minha janela. Ao olhar para meu criado, vi que meu livro estava encharcado. Tentei secá-lo desesperadamente de todas as formas imagináveis. Tentei deixá-lo no sol e até mesmo secá-lo com um secador de cabelo. Mas o final da história da Cinderela, havia grudado em outras páginas, fazendo com que o conto parasse antes do baile em que ela perdia o sapatinho de cristal.

    Sentei no chão e com uma certa fúria, comecei a tentar descolar as páginas. Todas as tentativas haviam sido em vão. Um pedaço da história havia sido perdido. Tentei imaginar um final alternativo para ela, trazendo-a para os tempos atuais. Sem fada madrinha, sem carruagem, sem sapatinho de cristal e muito menos sem o encantamento que acabava a meia noite. Nós queremos viver um conto de fadas em pleno século XXI, mas a realidade em que temos vivido nos faz enxergar que muitas vezes, desejar um felizes para sempre acaba se tornando uma verdadeira utopia. 

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