21/10/2015

Corpo presente, alma distante.


    Depois de 04 anos sem ir a praia vim com o objetivo de esquecer tudo que me magoou. De tudo que me fez mal, de coisas que não soube superar (e ainda não superei). Mas ao olhar para o mar e sentir sua brisa tocar em meu rosto, foi como se automaticamente tudo que tenho lutado para esquecer viesse à tona. A água do mar parecia mais salgada do que me recordava, a areia da praia esquentava com certeza rapidez e o meu coração apertado, tentava olhar para uma direção contrária. Mas não é assim que funciona, não é assim que a gente aprende a viver.

    Probleminhas tão descartáveis dilacerando um coração tão forte e cheio de vida que por causa de um babaca que não sabe o que quer da vida me fez mal. E me faz, sem que eu me esforce pra negar. Chorar não vai adiantar, mudar de bairro, cidade ou país, tampouco. Eu preciso de um coração mais forte, de uma vida com menos preocupações e de tentativas (sem sucesso) de não sofrer com tanta intensidade. Ridículo querer usar alguém pra esquecer uma outra pessoa. É como uma ferida recente que você toca e sente na pele a dor. Como uma doença sem cura, que você procura desesperadamente por um antídoto. Você tenta escrever sobre outra coisa, falar sobre outro assunto, mas dentro de você há uma tempestade.

    Há um coração partido, tentando se recompor aos poucos. Você precisa de uma força, mas seus amigos te dão o mesmo conselho, falam como se esquecer fosse instantâneo, como se passar uma borracha em um papel se aplicasse da mesma maneira na vida real. Estou aqui levando uma vida totalmente oposta da que eu gostaria de ter, abrindo mão de sonhos que nunca me vi sem. Vivendo dramas imaginários, sentindo dores passageiras e vendo o quanto o tempo passa sem mim. Momentos que eu sonhei, com uma pessoa que nunca mais vai voltar e pior do que isso, por que eu não quero e não vou querer.

    Mas o coração tá magoado, com medo de acreditar em quem quer que seja. Com medo de deixar qualquer nova pessoa entrar na minha vida e atrapalhar ainda mais essa bagunça que eu mesmo causei e não consigo colocar em ordem. Apesar dessas coisas, fiz quase tudo que meu coração mandava. Me arrependi amargamente, mas vivi na mesma intensidade. Tomara que apesar dos pesares, eu não deixe de acreditar nas coisas em que eu acredito. No amor que ainda sonho e espero para vivê-lo, mesmo com toda essa demora.

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